Cartas

31/03/2012

Ai...

Tenho tanta coisa para fazer, tantos livros para ler, tanta coisa para explorar e aprender, tantas ideias e projectos em mão...que literalmente me custa respirar. Mas nunca me senti tão realizada!

28/03/2012

De batalha em batalha

Já o disse aqui várias vezes que não sou, por natureza, uma pessoa optimista, antes pelo contrário. Vir para outro país, no outro lado do mundo, completamente sozinha e, literalmente, com uma mão à frente e outra atrás não acabou com esta minha forma de ser. Mas ajudou-me a arranjar formas de transformar as ameaças em oportunidades, as fraquezas em forças.

Eu deixaria de ser eu, se de um momento para o outro me tornasse a pessoa mais positiva do mundo e, por isso, deixei de combater e aceitar. Dar a volta. Isso não significa que não me consuma da mesma forma, que não perca noites de sono a pensar. Aliás, pensar de todos os ângulos e perspectivas é a minha maior benção e a minha maior maldição.

Ultimamente tenho pensado todos os minutos dos meus dias e das minhas noites no meu estágio. Como já aqui o disse não começou bem. Mas as coisas de que me queixei eram relacionadas com a aceitação social. Esforcei-me, esforcei-me muito, até à semana passada em que desisti, quando à hora de almoço todos se levantaram, perguntaram ao meu supervisor se queria ir almoçar e me ignoraram, a mim e à outra estagiária.

Desisti, primeiro porque não quero, no futuro, fazer parte de uma empresa cheia de gente pretenciosa e mal educada. Been there, done that. Segundo, porque não se pode forçar ninguém a aceitar ninguém, e se depois de todos os esforços continuo a ser ignorada então estamos perante um caso perdido. Terceiro, porque cada vez mais dispenso a necessidade de aprovação social seja de quem for, sobretudo de pessoas que não conheço e que, acima de tudo, não respeito.

Contudo, o problema à séria começou quando o meu supervisor resolveu definir-me um horário em que a minha única tarefa é…imagine-se, escrever artigos. Para uma ex-jornalista, vamos concordar que isto não é grande aprendizagem…muito menos em SEO, aquilo em que me inscrevi.

Tentei falar com o meu supervisor – doravante conhecido como Alex P. Keaton – sobre aquele horário. Perguntei-lhe se era válido até ao final do estágio. Ao que ele respondeu que sim. Acrescentou que as outras tarefas são muito técnicas e que eu não poderia aprender. Que eu não poderia aprender, e que ele não me poderia ensinar. Tentei então oferecer a minha ajuda na produção dos relatórios mensais. Disse que não, que era uma tarefa pontual.

Engoli. Fiquei o dia todo a escrever artigos até ter os olhos em lágrimas. Decidi que esta semana ia aproveitar os exames de mid-semester e não pôr lá os pés. Fiquei a matutar: “You can’t learn”. Todos os minutos: “You can’t learn”. Durante o jantar:“You can’t learn”. No cinema: “You can’t learn”. Antes de fechar os olhos, já na cama: “You can’t learn”. Em sonhos: “You can’t learn”. “You can’t learn”.

Decidi então não deixar esta palhaçada continuar. Mandei ontem um email à supervisora do pequeno Alex P. Keaton a explicar, de forma diplomática, que não estou disposta a escrever artigos o resto do estágio, que isso não é de todo uma aprendizagem para mim e que espero mais desta oportunidade.

Logo a seguir reencaminhei este email para a responsável do Departamento de Estágios, a K., e expliquei-lhe umas coisas. Nomeadamente a conversa que tive com o pequeno Alex. A K. falou com ela.

Hoje obtive a resposta. A supervisora do anão desmentiu-me. Disse que o tal horário era só para esta semana…a tal em que não estou. Que não é verdade que só tenha escrito artigos até ao momento. Depois mandou-me um email a tratar-me como uma anormal. Respondi-lhe à altura, expliquei-lhe que há um formulário que explicita as tarefas que tenho para cumprir e disse-lhe que na próxima semana espero ter novas tarefas.

É incrível que nada para mim cai no colo. Este estágio não podia ser apenas uma excelente experiência de aprendizagem. Não. Tinha de se tornar em mais uma batalha.

E eu aqui estou. Pronta para entrar no campo, armada com 17 livros sobre PHP, JAVAscript, CSS, XHTML, HTML, SEO e outros acrónimos que queiram.

E agora vamos ver quem é que não pode aprender, pequeno anão ridículo.

26/03/2012

Culturas

Uma das vantagens de se vir viver para um país tão longínquo, diferente e que é um grande destinho de emigração é a exposição a outras culturas que temos. Já viajei por muitos, muitos países e posso dizer hoje que só mesmo vivendo no país podemos aperceber-nos de quão diferentes são as outras culturas quando comparadas com a nossa. Os australianos, já aqui o disse, não existem. Ou são australianos com pais chineses, ou australianos com pais indianos, ou australianos com pais italianos, ou australianos com pais portugueses e por aí fora. Isto faz com que existam aqui muitos hábitos e muitas de formas de estar distintas.
Por motivos de trabalho tenho muito contacto com indianos. Aliás, o meu melhor amigo desde que cá cheguei é indiano e vive cá há apenas 3 anos. Apesar de sermos muito próximos, este é um tipo de amizade que nunca experimentei. Há um "cultural gap" entre nós que por vezes nos leva a rir à gargalhada por outras nos leva a pedir desculpas um ao outro, bom mais eu a ele do que o contrário. 
Isso aconteceu na semana passada. Há 3 anos que ele não ia visitar a família na India e foi em Fevereiro tendo ficado lá o mês todo. Quando regressou dei-lhe um abraço e perguntei como tinha corrido a viagem. E ele disse: "Very well, i'm engaged!" e mostrou-me um anel de ouro gigante.  Eu não quis acreditar e claro fiquei o dia todo a partir-lhe a cabeça. É que esta menina da qual ele ficou noivo foi-lhe arranjada pela mãe e quando lhe perguntei se estava apaixonado por ela, respondeu que um dia iria estar. Lá lhe expliquei que casar com alguém que não se ama pode ser um grande erro, mas ele disse que na cultura dele era assim e que a mãe ia ficar mais descansada. Afinal ele já tem 27 anos, já devia estar casado há muito tempo. 

Confesso que tenho encontrado aqui várias diferenças culturais que me fazem espécie, mas as que mais me intrigam são as indianas e as que mais me incomodam as chinesas. 
No fim de semana a trabalhar no hotel conheci uma hóspede indiana. Uma contabilista que está cá com tudo pago a fazer um training de uma semana e que nunca saiu da India antes. Eu e a recepcionista encorajámo-la a ir à city conhecer Darling Harbour e Circular Quay no Sábado. Estava um dia lindo. Eu ainda lhe escrevi num papel as indicações todas que ela precisava saber. No Domingo perguntei-lhe se tinha gostado. Disse-me que não tinha ido porque estava sozinha e sozinha não podia ir. Não sei se não podia ir porque lhe faltava a companhia de um macho, se não podia ir porque não gostava de andar sozinha na rua ou se não podia ir porque tinha medo que a cidade não fosse segura o suficiente. Sei que não foi. Ficou o dia todo no hotel, tirei-lhe uma foto na recepção e parece que ficou o resto da tarde a dormir ou a ver tv. 

Estive a reflectir sobre isto e pensei que aquilo que me ensinaram em Antropologia -  que não há culturas boas ou más - não é de todo verdade. Há, na minha singela opinião, aspectos culturais que não são positivos. Que castram a auto-suficiência de cada um, que cortam a possibilidade de sentirmos coisas maravilhosas, como por exemplo, casar apaixonado. Haverá também este tipo de coisas a apontar à cultura ocidental...enfim, a perfeição não existe. Mas olho para a minha vida, para a mim enquanto individuo e, cultural ou não cultural, agradeço aos meus pais terem-me criado para ser independente e auto-suficiente. E acredito que não me poderiam ter incutido nada melhor do que isto.



25/03/2012

Diga 33!

Ora pois é! Os meus 33 estão aí a chegar e eu estou aqui pelo segundo ano a festejar longe dos meus amiguinhos, e do maridinho e da familiazinha... por isso preciso de prendinhas para que esta dor não seja tão intensa. Sendo assim aqui vai a minha wish list, sintam-se à vontade! eh eh eh eh


Este casaquinho da Blanco que a Joana sugeriu é lindo!

Este é da Mango também veio da Joana e eu amo!

Joana está a tornar-se uma habitué...mas quem a manda sugerir coisas tão giras! Da Zara


Confesso que desde que vi o filme fiquei com vontade de saber mais sobre esta senhora. A biografia pode n ser a ilustrada...a mais recente serve. Já agora o Nelson Mandela também pode ser.


Eu bem que andei a tentar resistir... mas enfim... pode ser o 2 sem stress mas 3G, please


Skinny Jeans desta cor. Não interessa a marca.


Hunter Gumboots. Pretas.

Esta foto está muito pequenina mas não consegui melhor... É da http://www.colette.com.au/

Aceitam-se vouchers de massagens, pedicure e manicure também. Sugiro uma passagem pela Groupon Australia sempre é mais fácil comprar este tipo de coisas online. Mas que seja aqui pertinho ok? Tipo ou no CBD ou North Sydney ou Lane Cove. Não me mandem para as Blue Mountains! 

Pronto era isto. Se me lembrar de mais alguma coisa aviso. Entretanto fico aqui à espera :)

22/03/2012

Diga 33!

Ah pois! Em breve completo 33 aninhos e por isso aqui deixo uma lista dos presentes que a menina mais do que quer, precisa. Precisa, ouviram bem?? No ano passado devo dizer que ninguem foi sensivel a minha lista...espero que este ano essa situacao nao se repita, ta bem?? Bom entao e assim:

1. Biografia da MArgareth Tatcher
2. Series do Sexo & Cidade (qualquer uma excepto a primeira que ja tenho)

21/03/2012

A justiça portuguesa é ridícula para não dizer que me mete nojo

Corria o ano do Senhor de 2008. No dia 2 de Janeiro, ao final de um dia de trabalho, quando viajava no comboio de regresso a casa fui assaltada. Um grupo de putas - não sei os nomes delas, portanto, vamos chamar-lhes assim - achou boa ideia quando chegámos ali a Benfica agarrar na minha mala e levar tudo o que tinha comigo e, assim, fazer-me começar o ano da melhor maneira.
O que se seguiu foi o drama... perante os meus gritos ninguém se mexeu, tive de implorar um telemóvel para ligar à PSP, o senhor que estava sentado à minha frente ainda disse que estava mesmo a ver isso a acontecer porque já as conhecia...mas achou por bem ficar a ver se afinal tinha razão.  Daquela noite de merda que me fez gastar balúrdios em substituição de fechaduras e medicamentos, já que se seguiu uma semana inteira de febre, só recordo o trabalho extremamente eficaz da PSP que trabalha na CP. Sim, demoraram 4 horas a registar uma queixa porque claramente não vêem muitas vezes computadores à frente, mas senão fosse por eles não tinha conseguido cancelar os cartões bancários, nem os cheques. Enfim, palmas à actuação da PSP que não podiam ter sido melhores.
Recordo-me que um deles me disse: " Queria pedir-lhe para apresentar queixa, pode ser?"
E eu indignada respondi:" Mas o que lhe faz passar pela cabeça que não vou apresentar queixa!? Que disparate! Claro que quero apresentar queixa!"
E assim foi. Deixem-me dizer de novo, isto foi dia 2 de Janeiro de 2008. Fui quatro vezes à polícia para identificar a menina que efectivamente me levou a mala. Identifiquei-a em fotos duas vezes, em vídeo e pessoalmente não o fiz porque ela não pôs os cotos no local no dia e hora marcados.
Nunca mais, desde o dia 28 de Abril de 2008, último dia em que tentei identificar a vaca de merda pessoalmente, ouvi falar desta minha queixa. Tentei ligar à PSP mas ninguém sabia do que eu estava a falar. O número de telemóvel de um dos polícias que me ajudou naquela noite já não estava activo. E assim pensei que o assunto tinha sido arquivado e que, simplesmente, ninguém me deu cavaco.

Corria o ano do Senhor de 2011, creio que estavamos no mês de Outubro. A minha querida A. mandou-me um mail a dizer que tinha na minha caixa de correio um aviso de recepção de uma carta do Tribunal de Lisboa. Sem fazer a mínima ideia do que poderia ser pedi-lhe que por favor me tratasse do assunto. E ela, como sempre não me falhou, e descobriu o que era a carta. A carta sobre a minha queixa.
Disseram à minha A. que eu não tinha nada que sair do país sem informar o Tribunal. Desculpe?? Pensei que aqui a arguida era a vaca de merda e não eu! Mas desde quando estou eu sob uma medida de coacção?! Escrevi um e-mail aos senhores do Tribunal. Disse-lhes que não tinha obrigação de os informar de nada, assim como eles não se sentiram na obrigação de me informar do estado do processo. Expliquei que sou livre de me deslocar pelo mundo quantas vezes e por quanto tempo eu quiser e pedi, encarecidamente, que reencaminhassem a minha correspondência para a minha morada australiana. Não recebi resposta, mas recebi a carta. Então a carta era para me informar que o Ministério Público tinha decidido prosseguir com a acusação, mas só a uma das putas, a que efectuou o roubo. As que a ajudaram a segurar a porta do comboio não foram incluídas, ainda que eu tenha apresentado queixa e as tenha identificado da mesma maneira. Alegaram coisas que eu nunca disse e eu nem quis chatear-me mais com isso.
Como o legalês com que escrevem estas cartas é absolutamente inintelígivel pelo comum dos mortais mandei um mail a pedir esclarecimentos. Não recebi resposta. Deduzo que os funcionários do tribunal percebam tanto daquela merda como eu!

Corre o ano do Senhor de 2012, finais de Março. Recebi outra carta do tribunal que me informa que o Ministério Público decidiu levar o caso a julgamento, MAS como EU, notificada como testemunha,  estou na Austrália, o caso fica adiado até eu informar quando estarei presente na Pátria. Deus nos livre de se proceder ao julgamento sem a minha presença até porque uma coisa chamada video-conferência ainda não foi inventada. A minha presença é absolutamente necessária! Porque não posso ir a um esquadra local e testemunhar lá por skype ou coisa do género, em directo, ou gravar um testemunho em diferido, ou talvez assinar uma declaração. NÃO! Deus nos livre que isso são modernices do demónio! Portanto, se eu NUNCA mais voltar a Portugal, esta vaca de merda NUNCA irá a julgamento porque a justiça portuguesa só não é uma anedota porque me dá vontade de chorar!


19/03/2012

Inside Job

Ontem fui ver na universidade o documentário sobre a GFC, Inside Job. Amei. Muito bem feito, muito bem explicado, dramático. Não sei porque é que no meio disto tudo tinha um casal à frente a jantar do tupperware e atrás outro a rir à gargalhada...

17/03/2012

Aussie Holidays #6

De Port Fairy a Mount Gambier nem era assim tanto. Decidimos por isso fazer a viagem com calma. Foi aliás sempre o nosso mote, não temos pressa! E é isto que gosto nas road-trips, poder ir sem problemas de tempo vendo o que nos aparece pelo caminho. Em Mount Gambier nem sequer tinhamos alojamento porque não tinhamos recebido a resposta do parque de campismo...e ainda bem, mas já explico.
Do dia anterior tinhamos ficado na memõria com Apollo Bay e Warrnambol, duas pequenas vilas deliciosas onde as actividades relacionadas com o mar reinam...ou não fosse isto a Great Ocean Road. Fizemos um pequeno desvio para Cape Otway para ver os Koalas e ala que se faz tarde. 
No caminho para Mount Gambier a chuva resolver aparecer em força. Sabíamos que seria o último dia em Victoria e sabíamos também que desde o fim da Great Ocean Road até Adelaide as atracções iriam diminuir drasticamente. Parámos em Portland para almoçar, bebemos um café e seguimos tal não era a ventania. Confesso que fiquei um bocadinho aborrecida com o tempo, mas enfim que fazer? À medida que nos aproximávamos do fim de Victoria vimos placas a informar que não poderiamos entrar com fruta ou legumes em South Australia e que deveriamos colocar essa fruta e esse legumes em contentores de quarentena. Achei aquilo um disparate já que as peras que tinhamos connosco tinham sido compradas no Wollies mas... pelo sim pelo não, quando parámos em Nelson - a última cidade de Victoria - resolvemos perguntar. A senhora lá nos explicou que há certas doenças da fruta no Estado de Victoria que não há em South Australia e por isso a fruta não pode transitar de um Estado para o outro. A multa é pesada... resolvemos não arriscar e vai de comermos peras de castigo até acabarmos com as reservas. 
Estão a ver aquelas chuvas tropicais que parece que nos vai cair o céu em cima? Assim esteve sempre o caminho para Mount Gambier, com direito a trovões e tudo. Vai daí que não tivémos muita vontade de parar muito tempo em lado nenhum. 
Finalmente chegados a Mount Gambier resolvemos não ficar em Parque de Campismo e procurar um motel. Mount Gambier, já em South Australia, é uma little town deliciosa. O motel fez-me lembrar os bares dos cowboys dos clássicos do John Wayne, com salão de jogos e traça antiga, mantida da última renovação. Não foi só meia hora que ganhámos em SA. Este país é tão grande que quando mudamos de Estado parece que mudámos de país. E SA é outra onda. Nada a ver com NSW nem com Victoria. É mais lento, mais quente, mais simples...eu diria até mais campónio. Ficámos felizes quando vimos o quarto. Há dois dias que não sabíamos o que era uma cama e aquela soube-nos tão bem que desconfiei que não iriamos mais abrir a tenda! Tinha razão... 
No dia seguinte ainda demos uma volta pela cidade. Fomos ver o Blue Lake, localizado numa cratera de um vulcão extinto e que abastece a cidade de água. Tivémos sorte porque parece que o lago só é azul de Dezembro a Março, sendo que nos restantes meses do ano é cinzento. Parece que ainda ninguém sabe com certeza o porquê da mudança de cor, mas digo-vos que azul mais azul não há! 
A Commercial St. é onde se vê gente, porque de resto parece uma cidade fantasmo. Edifícios baixinhos, mais uma vez a fazer-me lembrar os filmes do John Wayne, e o edifício da National Trust fazem desta cidade a apenas 470 km de Adelaide um must visit. 
Seguimos para Kingston. E pronto, a partir de Mount Gambier e até Kingston, e depois também, percebemos que não há nada para ver. O país é um deserto, apenas planícies secas a perder de vista, onde se vêem umas placas com nomes que indicam que afinal aquilo até são quintas, e outras mais ao lado a indicar que estão à venda. Uma desolação. Quando descobrimos Robe nem queríamos acreditar! No meio de tanto deserto finalmente uma cidadezinha onde podíamos finalmente ver gente! Mas muito pequenina...destas cidades pequenas as que me encheram as medidas de tão peculiares e fofinhas foram Mount Gambier e Strathalbyn. Nesta ultima ficámos à conversa com um senhor velhote australiano, descendente de ingleses, racista até à quinta casa (em relação aos aborígenes) e que nos aconselhou a ir trabalhar pras minas... eu a conduzir camiões e o meu maridini lá em baixo a escavar. Enfim, quando lhe disse que o meu objectivo era mais uma management position acho que ele não gostou...
Aqui ficam as fotos possíveis destes dias. O último post das férias -  sim que isto já vim há 3 meses  de férias e ainda estou a falar das férias! - será sobre Adelaide e deverá sair na próxima semana. Enjoy the pics!






A bandeira dos aborigenes aqui transformada em memorial de guerra




Com o tio Vasco da Gama em Warrnambol


Com o outro tio, o Infante D. Henrique 


Granny's grave
Parece que esta senhora foi a primeira branca a ser enterrada em Warrnambol. A campa esta na praia.

Petrified Forest, Cape Bridgewater, perto de Portland
É giro de ser ver e tem lá uma explicação, mas ficámos pouco tempo porque cheirava muito, mesmo muito, mal




Nelson, last Vic town



SA! Vá de atrasar o relógio meia horinha 

Hotel em Mount Gambier


Blue Lake






Diz que os chineses vieram percorrer este caminho para procurar ouro. Diz que conseguiram e que enriqueceram. Deve ser por isso que aqui há tantos...

Strathalbyn

Strathalbyn 

Strathalbyn 

Strathalbyn 



14/03/2012

Segunda semana de estágio

Pois que isto tem sido uma correria tão grande com o recomeço das aulas, o trabalho e o estágio que nem tenho tido tempo de vir aqui contar como foi a minha segunda semana lá na empresa. a acrescentar a isso ainda ando a treinar que nem uma maluca...desafiaram-me para fazer um triatlo, e eu que não ligo puto a competições, disse que não. Mas comecei a treinar de qualquer forma, só para a parte da corrida...
Bom, mas voltando ao estágio. Então na Quinta-feira quando a assistente começou a recolher dinheiro para ir buscar cafés, eu lá me levantei e pedi para ela me trazer um hot chocolat. Não reagiu muito bem, mas melhorou quando eu lhe disse: "Já agora eu sou a Rabbit Maria, e tu como te chamas?". Abriu um sorriso, esticou-me a mão e lá disse o nome. Sim, aqui o pessoal não dá beijinhos. É apertos de mão e já vais com sorte... Pensei que a coisa ia melhorar ao longo do dia mas a verdade é que acabei por almoçar sozinha... apesar de ter conseguido apresentar-me à digital producer na cozinha. 
No dia seguinte ia mais animada e determinada a progredir um pouco mais, de forma natural. Como disse a Isa, os anglo-saxões são a amandar pró frio e eu até já me tinha apercebido disso, mas este esmeram-se! Então Sexta passei o café, que tinha bebido um na 7 Eleven à ida e fiquei à espera da hora de almoço. A hora de almoço destes meninos foi às 2h30...escusado será dizer que estava quase moribunda àquela hora. Mas quis ver que ritual é este que a partner falou de almoçarem juntos às Sextas e que eu ainda não tinha presenciado, apesar de ser a minha segunda Sexta! Então cada um saiu para ir comprar comida, sem nada dizerem. E depois à medida que foram chegando foram-se sentando numa mesa que lá temos no meio da sala e então é que se lhes ouviu a voz. Aquilo é rotina já entranhada no grupo. Não precisam de dizer nada. Mas quem está de fora fica um bocado às aranhas e não percebe o que se passa. Eu que estava na cozinha a aquecer o meu almoço - coisa que decidi fazer antes de desmaiar - lá lhes perguntei se me podia juntar. E quando eu falo com eles são extremamente simpáticos, mas... se não falo eles também não falam. 
A estagiária nova começou na Sexta também. Uma americana da minha universidade que está cá em exchange. Ninguém me apresentou à rapariga... e eu só me apercebi que ela era estagiária como eu quando ela veio do almoço...sozinha. Porra! Fiquei mesmo lixada! Teria feito companhia à miúda, mas enfim não adivinho. Acho de uma enormíssima falta de chá não me apresentarem à estagiária. Então decidi que amanhã vou pedir à boss para me apresentar às pessoas só naquela de eu saber o que faz cada um de forma a melhorar a minha performance (que supostamente será melhor se conhecer todo o processo). 
O que safa no meio deste esforço social todo é que o trabalho é excelente. Já fiz SEO on site e off site (quem quiser que me mande um mail que eu explico porque aqui isto dava para uns 3 posts), estou a amar. Tenho feito algumas coisas meio chatas, mas que fazem parte do processo, e o T., meu supervisor, deu-me um cliente novinho para eu começar com ele desde o início. 
O T. no início parecia meio intimidado comigo, mas acho que agora já se começa a sentir mais à vontade. Não sei se é por eu ser mais velha que ele, se é pelas suas raízes árabes ou se é por ele ser minúsculo mas havia ali qualquer coisa no principio que o deixava pouco à vontade. Agora parece-me melhor. Pelo menos já se ri das minhas piadas...das poucas que ainda posso ir dizendo. E que difícil que é para mim não falar um dia inteiro! Credo! Mirce volta estás perdoada!
No final do dia...surpresa das surpresas o boss perguntou se eu queria uma bebida. E eis que tudo se levanta em direcção ao frigorífico das bebidas. Ele era vodka, champagne, vinhos vários e cerveja. Cada um a beber o seu. Eu bebi meio copo de vinho - que isto de beber às 5h30 da tarde não é pra mim - mas gostei do convite. A assistant mamou um copo gigante de vodka com não sei o quê misturado... E pronto às 6h da tarde bazámos... nunca eu num local de trabalho tive acesso a bebidas alcoólicas...nunca eu em trabalho bebi sequer. Mas curti a onda descontraída do pessoal.
Amanhã lá vou de novo. Estou meia ansiosa, meia nervosa, meia expectante... mas cheia de vontade de continuar a aprender mais e mais. Sexta acho que vou pelo champagne. Wish me luckkkk!!! 

07/03/2012

Olha, olha

E não é que chegámos às 20 mil visitas e eu nem percebi! Vai daqui um obrigadinha! Continuai a vir que eu continuarei a postar.


06/03/2012

Coaching

Comecei a fazer coaching, via Skype e estou a gostar bastante. É um processo às vezes um bocadinho doloroso e que nos obriga a pensar mas para já, e apenas duas sessões feitas, o outcome é positivo.
Consultai o site deste rapaz. Recomendo!

03/03/2012

Vamos lá a votos que vocês têm de me servir para alguma coisa

Na continuação do post anterior quem é que acha q no próximo dia de estágio devo ir de secretária em secretária apresentar-me às pessoas e quem é que acha que devo esperar pelas eventuais necessidades de trabalho para naturalmente começar a conhecer os membros da equipa? Aguardo votações! E sugestões!

02/03/2012

Primeiro dia de estágio

Eu nunca gostei muito de me entusiasmar com nada porque sei por várias experiências que normalmente acabo por me desiludir. Já uma vez aqui disse que é por ser uma pessoa prudente que acabo por nunca festejar nada e ser um bocado mosca morta. Mas eu cá tenho as minhas razões… e a verdade é que se comecei a adoptar este comportamento é porque "gato escaldado de água fria tem medo”, sempre me ensinou a minha mãezinha.

Isto tudo para dizer que o entusiasmo com este estágio foi tanto que agora, dois dias já lá passados, sinto uma desilusão que só não é maior porque já tive muitos primeiros dias em muitos sítios e sei bem como é. Contudo, nunca tive um primeiro dia de estágio… hummm… minto. Fiz 3 dias de estágio numa empresa, mas como não achei importante vim-me embora.

A entrevista correu muito bem. Os partners e o meu supervisor foram super simpáticos e eu achei-me muito bem vinda. O primeiro dia já não foi bem assim. Ninguém me mostrou as instalações, ninguém me apresentou às pessoas, o supervisor estava doente, o que fiz foi pouco e sem importância.

A assistente, uma miúda com uns 18 anos que diz fuck e derivados dez vezes por segundo, teve a gentileza de ir buscar café para todos e nem me dirigir a palavra. Hoje ao final da tarde fez o mesmo. Perguntou a todos, um por um, que bebida queriam mas ignorou a minha presença. Quiça tenho o dom da invisibilidade e não sabia! Na verdade mesmo entre eles não há grandes conversas… parece-me que está toda a gente muito embrenhada nas tarefas que têm por cumprir. De qualquer forma, se me dizem:”na Sexta vem antes do almoço porque almoçamos sempre juntos e dá para conheceres melhor a equipa toda”, eu espero um almoço de equipa. Não espero que afinal vá cada um para o seu lado e eu acabe no café a comer uma sandes, sozinha.

Enfim, isto de ninguém me falar no primeiro dia, ou no segundo, nem é novidade. Lembro-me bem do primeiro dia que tive na TVI. Ninguém me falou também, ninguém prestou atençao ao meu nome, ninguém me fez sentir bem vinda. Nem sequer tinha secretária ou computador já que estava tudo em obras. Os chefes pouco ou nada me ligaram, mandaram-me ler o jornal e eu fiquei ali a indagar qual era a urgência que tinham na minha presença se depois nem um lugar tinham para mim… Tiveram pelo menos a gentileza de me apresentar à equipa, o que já não foi mau. Passados poucos dias já era diferente, se bem que alguns elementos da equipa nunca me aceitaram bem. Calculo que sejam coisas relacionadas com as suas inseguranças pessoais. É que não vejo motivos para não manter um relacionamento agradável com as pessoas com as quais trabalhamos diariamente. Passado pouco tempo tivémos lá duas estagiárias. É verdade que as moças tinham pouca iniciativa, mas a crueldade com que foram tratadas – inclusivé pelas ex-estagiárias – foi de uma absoluta falta de necessidade, de uma arrogância que confesso me deixava muitas vezes boquiaberta. Como tenho por regra tentar não fazer aos outros aquilo que não gosto que me façam a mim, tentei o mais possível fazer os dias delas mais amenos. Desde a fazer-lhes companhia ao almoço, como dar-lhes ideias de coisas para fazer… ninguém falava com as moças e quantas vezes assisti a falarem mal delas nas costas. Nem sequer lhes deram hipótese. Aconteceu o mesmo com a estagiária que apanhei depois na Agenda. Hoje uma amiga, quiçá futura sócia.

Nunca percebi esta coisa de se tratarem os estagiários desta maneira e nunca tratei mal quem estagiou comigo. De qualquer forma os estágios aqui não são a rebaldaria que são em Portugal. Por isso, vou aguardar com serenidade ver o que vai acontecer e se sentir que não estou a aprender o que era suposto (a propósito, para quem não sabia e me perguntou SEO é Search Engine Optimisation e é uma das mais inovadoras ferramentas de marketing) terei de tomar medidas.

Parece-me também que, sendo eu a mais velha da empresa, eles não sabem muito bem como lidar comigo. Mas o meu CV dizia a minha data de nascimento, portanto se iam ter esse preconceito então não me deviam ter chamado para entrevista sequer…

Voltarei na próxima Quinta. Menos entusiasmada, verdade. Mas com a mesma vontade de aprender. Novidades sobre isto, daqui a 7 dias.